19.12.15

#ChegaJunto: O ensino médio e a selva que o envolve



    Com 14 anos, costumava acreditar que ter muitos amigos era infinitamente melhor que ter bons amigos. Eu queria ir em mais festas, adicionar mais pessoas no - finado - Orkut, tirar fotos com mais pessoas, colocar mais nomes no nick do MSN e mostrar para as pessoas do meu colégio e da minha cidade que eu era tudo, menos sozinha.
    Pobre de mim.
    Eu tinha plena certeza de que a vida nunca seria mais do que isso. Festas, garotos e popularidade era tudo o que eu achava que queria. Nada parecia ser mais importante do que estar num nível alto da famosa escala social que o ensino médio costuma dividir as pessoas. Não éramos cruéis como nos filmes, ou maravilhosas e inalcançáveis, mas lembro de gostar de me sentir assim. As outras meninas da sala de aula, mais estudiosas e quietas do que eu, pareciam seres de outro mundo. Elas trocavam poucas palavras entre si durante a aula e nunca eram vistas com outras pessoas que não elas no recreio. Dividiam lanche, às vezes davam risada, e viviam numa bolha silenciosa que eu costumava sentir os pelos da nuca eriçarem de agonia só de pensar em viver como elas.
    Mesmo antes de entender minha escalada rumo ao topo da cadeia alimentar do colégio, conheci uma menina exatamente como eu. Aos poucos, começamos a gostar da ideia de conhecer os garotos mais velhos e imitar as meninas mais velhas fazendo bico na frente do espelho para postar no Orkut. Minha obsessão por ser bonita e "desejada" (se é que podemos falar assim de uma garota de 14 anos) não cresceu estrondosamente como eu esperava, acabei caindo em mim em algum momento e entendi que muitos "amigos" era tão ruim quanto não ter amigos. Porém, minha amiga quis tanto ser conhecida e invejada, que nada mais importava.
    Quando conheci outras pessoas e me libertei daquela vontade de ser "alguém" no colégio, minha amiga negociava convites para a festa de 15 anos dela e fazia amizades duradouras (de dois meses) para entrar em outras festas de 15 anos. E eu achava tudo lindo. "Ela gosta" "Ela está feliz" "Ela é minha amiga de verdade".

    Me apaixonei inúmeras vezes durante o caminho e ela sempre me apoiou - enquanto mandava mensagens para eles dizendo o quanto eu era mais bonita por fotos, como eu estava desesperada por eles e como eu era pegajosa.
    Tentei fazer outros amigos, daqueles que não saem todo final de semana, e preferem falar sobre livros, que sobre bebidas e festas. Ela disse que eu estava cometendo suicídio social e precisava voltar para as baladas para não ser esquecida. Fiz novas amigas, e ela até que gostou delas também, por isso falava coisas sobre mim que nem eu sabia, e jurava ser muito mais legal que eu.
    Eu não era santa. Gostava também de dividir segredos (que não eram meus) com outras pessoas e achava legal ter sobre o que falar. Com 15 anos, eu não sabia que aquilo era errado e que estava afastando pessoas de mim. Com 17 anos, percebi que aquilo estava bem longe de ser certo. Com 18 anos, não consigo acreditar que fazia isso.
    Aquela "amizade" eterna que eu me sentia tão sortuda por possuir, acabou na melhor hora. Passei anos e anos acreditando que eu precisava de pessoas como ela. Populares, divertidas e cheias de sorrisos em fotos pelas redes sociais. Eu enfim percebi que a vida é muito mais do que curtidas e amigas que sabem muito bem qual é a hora de estar por perto e qual é a hora de sumir.
    Hoje, se me colocassem para conversar com a Vitoria de 4 anos atrás, eu teria muitas coisas para dizer. Eu falaria: se importe menos com essa amiga, se importe menos com festas, se importe menos com garotos, se importe menos com quantas pessoas você conhece. Parece clichê, mas não poderia ser mais real... É tudo extremamente finito. Não demorou meses para que tudo sumisse e eu percebesse que nunca foi sobre quantidade, e sim sobre qualidade. Eu pediria para a Vitoria de 14 anos para que ela não desse mais risada das meninas quietas, nem continuasse acreditando que elas eram estranhas. Hoje eu vejo que a estranha era eu.
    Aquilo tudo nunca fez parte de mim. Mas, eu queria desesperadamente me encaixar de alguma forma.
    E só hoje eu consigo enxergar.
    Enxergar que o ensino médio é um período tão, mas tão pequeno e maravilhoso das nossas vidas, que deve ser curtido ao máximo e da melhor forma possível. Com amigos, sim. Com festas, sim. Com garotos, sim. Mas com respeito, cuidado pelo outro e percepção do próprio umbigo.
    Lembro de acreditar que o mundo era só o colégio e as pessoas que estudavam nele. Uniformes, tênis de marca, bolsas gigantescas e pesadas. Lembro com carinho do meu período na escola, mas algumas atitudes eu prefiro esquecer. A Vitoria de hoje não gostaria de conhecer a Vitoria de 4 anos atrás. Logicamente, a vida é construída de boas e más escolhas que nos moldam e nos transformam em quem somos. Eu não seria eu hoje se não tivesse sido de outro jeito antes. Mas eu queria poder dizer que foi tudo diferente.


Vitoria

15 comentários:

  1. Passei por essa situação e eu pensava do mesmo jeito que você pensava, eu também tinha uma "amiga" que também era desse mesmo jeito. Mas assim como você percebi que a vida é mais que ter muitos amigos e ir pra muitas festas. Eu sempre fui uma pessoa muito tímida e não tinha amigos e eu queria ter muitos amigos e ir para festas e eu achava que se eu tivesse muitos amigos e fosse para várias festas as pessoas iriam me aceitar. Bom, até em beber bebidas alcoólicas eu pensei para me inturmar com aquele povinho, mas quando percebi no que eu estava pensando me distanciei dessas pessoas que diziam ser minhas amigas, percebi que a maneira de pensar delas era muito diferente da minha maneira de pensar. Eu digo alto pra todo mundo ouvir EU NÃO TENHO VIDA SOCIAL, SOU CARETA MESMO E ME ORGULHO DA PESSOA QUE EU SOU. E é muito errado você mudar, mudar a pessoa que você é por causa de gentinha assim, que acha que a vida é apenas curtidas e festas. Hoje não falo com essas pessoas porq percebi que elas só queria o meu mal e estou muito feliz aqui, com amigos verdadeiros que eu sei que não falam mal de mim e que me aceitam como eu sou ♥

    Adorei a sua postagem me fez refletir tudo o que já passei hihih Beijão !

    http://temposdejuventude.blogspot.com.br/

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  2. nossa, amei o texto, e essa reflexao! qd somos adolescentes td gira em torno daquelas amizades que parecem eternas..

    www.tofucolorido.com.br
    www.facebook.com/blogtofucolorido

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  3. Adorei o teu blog e por isso ja te sigo;) Vou continuar por aqui;)
    beijinhos
    elisaumarapariganormal.blogspot.com

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  4. Uau.. Me identifiquei com o que vivi na época.. Parabéns pelo texto!!!
    Beijos
    www.rosachiclets.com.br

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  5. Sem dúvida que também pensava assim! Gostei de ler <3
    beijos
    The Fancy Cats

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  6. A vida e os ensinos médios. Quem nunca passou por isso?!
    Adorei o texto :)
    Um abraço,
    http://juliet-in-crisis.blogspot.com.br/

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  7. Eu sempre fui uma menina de poucos amigos mas a gente quando adolescente acha que precisa dessas amizades mais populares para sermos alguém nê ?
    Beijos ♡ O Melhor de Mim

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  8. Eu sempre fui bem reservada mesmo no meu ensino médio, tive poucos amigos mas o que mais lembro do meu ensino médio era dos namoradinhos, dos crushs que nunca consegui ficar e de como dormia igual um anjo nas duas primeiras aulas principalmente se era de Matemática já que o professor conselheiro da minha turma sempre me ajudava no quesito de notas.
    Beijoos

    http://www.caprichadissimas.com.br/

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  9. Tu é maravilhosa, Vica! Se eu sentar pra te contar como foi minha adolescência, opa, chega mais que tem história. Até porque eu era uma daquelas alunas que falava pouco em sala e longe de ser popular. é legal ver o outro lado das coisas. Acho que o estilo de vida que tu tinha com 14 anos era bem mais audacioso e perigoso do que o meu estilo na msma idade. Adorei o texto, vic. Bora tomar um cafézinho?

    Eu, Barroncas | E à vontade!
    CANAL

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  10. Olá, tudo bem?
    Acabei de conhecer o seu blog através de um blog amigo.
    Parabéns, ele é ótimo e estou seguindo. Me segue também?
    Desejo que você tenha um ano abençoado
    com muita paz, saúde e sucesso!!!

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  11. Eu sempre prezei mais lealdade e sinceridade do que quantidade de amigos. No Ensino Médio eu comecei a ficar popular, mesmo assim sempre mantinha um cerco em relação à minha vida.

    Existem muitas coisas além de curtidas etc.Eu por exemplo não tenho nem 50 amigos no facebook, só adiciono quem é próximo mesmo.

    Um beijão!

    Poesia em Transe

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  12. Amei o post.

    http://alinesecretplace.blogspot.com.br/

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  13. Que post maravilhoso, adorei! Nunca fiz questão de ter muitos amigos, preferia muito mais ficar no canto com pessoas que eu sei que eram verdadeiros comigo, sempre achei muito mais divertido do que ficar no meio de todo mundo. Mas sempre tem aquela época em que a gente quer ser mais popular, né? Ótimo texto! Tbm tenho um blog, e se quiser visitar sera mt bem vinda. Bjoss ♥
    coisasdeumavanessa.wordpress.com

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  14. Vitoria, nesse exato momento tenho 14 anos, e eu não me importo muito com festas, nem garotos, e só com a amizade verdadeira, estou no 9º ano e desde que eu cheguei na minha escola (estava no 6º ano) só pensei na amizade verdadeira, por 1 ano só tive amizades falsas, foi ai que quando fui para o 7º minha linda professora me trocou de turma (agradeço a ela até hoje), e agora tenho 5 amizades verdadeiras, á 3 anos. Ontem mesmo uma "falsiane" ( vamos dizer assim ) fez aniversário e deu uma festa, ela chamou todo mundo da sala, menos eu, e ela acha que fiquei triste, mas ela está muito enganada, porque eu prefiro está em casa do que está radiada de falsidades.
    Um beijo grande e muito gordo.
    overdosederosa.blogspot.com.br

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  15. Quando era menor, também tive minha época de querer ser do grupo popular, felizmente desisti quando conheci minhas atuais amigas. Desde a sexta serie eramos as alheias da sala, as que demoraram mais a crescer. Com 13, 14 anos, todos estavam nessa de namoradinhos, festinhas, e a gente ainda se reunia pra brincar de adedonha ou algo do tipo.
    E nunca fui tão grata por isso. Com o fim do ensino médio, ainda continuamos grudadas. Até o nono ano mais ou menos, esse lance de segregação dentro da escola ainda era bem nítido pra mim, mas foi chegando no EM e eu parei com essas neuras. Comecei a conversar com qualquer um, sem pensar se era do grupo "legal" ou não. E foi bem melhor assim.
    Mal eu sabia que o meu grupo "esquisito" era na verdade o grupo legal ♥
    Beijoss

    http://jubaqueen.blogspot.com.br/

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