4.1.13

You had your chance



- Que bom que você veio. Roberto sorriu e pousou as mãos cansadas sobre a mesa.

Seu sorriso torto e vagabundo já não era mais o mesmo de um ano atrás. Tinha olheiras, olhos fundos e um forte cheiro de cigarro pairava em sua volta. Cabelo mais desgrenhado do que nunca e barba por fazer. Parecia péssimo, apesar de tentar o tempo todo me provar o contrário.

- Você parece... ótimo. Sorri e sentei-me ao seu lado, mantendo as mãos em meu colo para evitar qualquer toque. - Que saudade desse teu cheiro. Suspirei fundo e assoprei minha franja; carlton vermelho, poderia reconhecer o cheiro de longe depois de ter passado tanto tempo junto a Roberto.

- Eu sinto sua falta. Ele disse baixinho, olhando para minhas mãos.

Estava usando aquela camisa xadrez verde que dei em seu aniversário do ano passado, 'maldito', pensei. Sabia que aquela camisa era o meu ponto fraco.

- O que você queria? Disse, vagamente.

- Queria te dizer que eu não aguento mais. Ele fechou os olhos e logo em seguida os abriu, fitando os meus. - Não aguento mais a Maria, que ri de todas as minhas piadas, gosta quando eu a chamo de princesa, lava as minhas roupas e cozinha pra mim. Continuou. 

- Você me trouxe aqui para eu escutar suas lamentações sobre a Maria? Revirei os olhos, sem esconder que ainda sentia uma leve brisa de ciumes. 

- Não. Ele segurou minhas mãos; senti minha pele estremecer pela saudade daquele toque. - Lhe trouxe aqui para me lamentar de você. Eu não aguento mais, Julia. Não aguento mais não ter que lavar minhas roupas, e não precisar cozinhar, e não te chamar de otária. Não aguento mais não ter você para me xingar pelas minhas piadas e todo o resto. Não aguento mais ficar longe. 

Fechei os olhos e lembrei-me de Lucas, que me esperava em casa com meu miojo preferio, aposto. Ele tinha o sorriso apertadinho e me fazia rir até minha barriga doer, mas ele... ele não era Roberto, nem me irritava do mesmo modo que Roberto, também ria das minhas piadas e gostava da minha comida. Lucas era perfeito, sabe? Tudo que eu sempre tinha pedido para minha vida, tudo e mais um pouco! Ele era tão apaixonado por mim e sempre mostrava... Já Roberto, não. Era complicado, bebia e fumava muito, só pensava em sexo e em compor, detestava minha comida, achava minhas piadas péssimas e sempre criticava meu jeito de falar e me vestir... Mas de algum jeito, com ele funcionava.

- Por favor, me diz algo. Roberto suspirou, quebrando meus pensamentos. - Você sabe, desde aquele janeiro eu não consigo mais tirar você de mim porra. Eu nem consigo mais fumar direito, ou beber. Acho até que não sei mais como beijar, ou fazer sexo! Porra Julia, volta, eu preciso voltar a ser eu.

Ele ficou dizendo, me enchendo de motivos, de pensamentos, até chorou um pouco eu acho, e eu só conseguia pensar em como a gente se dava bem juntos e em como estragamos tudo tão rapido. Eu fitava o relógio em forma de galo preso no topo da parede. Eram oito e quarenta e Lucas me esperava em casa... era Roberto quem eu queria, claro que era! Mas não podia ser assim. Eu não podia errar de novo, entende? Soltei sua mão e usei meu sorriso de canto, o preferido de Roberto.

- Eu te amo. Respondi, e então ele sorriu. - Mas não pode ser assim. 

Sai sorrindo, guardando as lágrimas para meu travesseiro e talvez, para o resto dos meus dias.

- Em Purgare. 

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