22.4.14

Once I thought we could make it through


       A gente tem que parar de fingir que damos certo juntos... Nós sabemos que não. Já cansamos de terminar e voltar e tentar dar mais uma chance pra toda essa história e fingir que está tudo bem. Mas, meu deus, não é assim. Infelizmente.
       Ontem tomei dois banhos depois de tudo; queria tirar teu cheiro do meu corpo. Precisava apagar toda e qualquer memória sua naquele momento, mas foi em vão completo. Você estava marcado em mim há anos, assim como teu cheiro, a marca dos teus dentes, tuas unhas, teu calor. Já era tarde demais pra conseguir apagar, e eu sei disso.
      Sei disso agora, porque não sabia antes. Não sabia do efeito que me causavas, muito menos de como eu gostava disso. Nunca quis tanto tua pele e tua boca na minha. Nunca resisti tanto e fui tão fraca ao mesmo tempo. Eu sabia que havia um motivo pra tudo isso. Para a minha recusa e tua pressa, meu stress e tua calma. Estava tudo escrito.
       Temos que parar de fingir que damos certo juntos, porque não damos, e não adianta continuar nessa tentativa e luta eterna, se no outro dia eu sempre acordo do mesmo jeito: enrolada em tuas pernas e afogada em minhas lágrimas arrependidas, com a certeza de que eu não devia ter feito isso, nem nada, nunca. E sempre levanto quietinha, arrumo minhas coisas, não olho para trás e vou embora, com a mesma promessa de que isso nunca mais vai se repetir. Sem bilhetes, sem café da manhã, sem beijo de bom dia.
       Nós não gostamos de ficar juntos, sejamos sinceros. As horas ficam sempre recheadas de brigas, discussões, desentendimentos e nada vira tudo em um espaço tão curto de tempo. Com você perco a cabeça e o juízo fácil, perco o equilíbrio e até quando é bom você consegue fazer sem ruim. Você consegue me fazer questionar todos os motivos que me levam a não ter desistido de você em todos esses anos. Mas com esse mesmo jeito, você consegue me fazer gostar muito quando tudo está bem.
      Queria acreditar que juntos poderíamos ser sinfonia, movimento, um só. Mas meu amor, há tanto pra me fazer duvidar disso. Inclusive você. Você continua sempre com esse jeito largadão só teu mas que me irrita tanto. Que me faz te odiar tanto, mesmo quando te amo... E como amo. Não dá mais pra ser assim, entende? Não dá mais pra ser assim.
      Hoje acordei com frio, mesmo agarrada em teu corpo. A janela e a porta estavam fechadas, mas eu tremia e batia os dentes. Sentia o mesmo frio que eu sinto sempre que acordo do teu lado. Mas hoje eu percebi que o frio vinha de ti, diretamente de ti para mim. E eu não quero mais isso. Eu quero calor, meu amor.


- Em Tenebris
       
     
   

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